Carta do Gestor/Informativo Mensal de Dezembro de 2025
- Carta do gestor
- 8 de janeiro de 2026
O ano de 2025 chega ao fim marcado por elevada volatilidade nos mercados
globais. Um dos grandes destaques foi a influência da retórica política de
Donald Trump, com seu estilo negociador de “aperta e solta”, que contribuiu
para um ambiente de forte instabilidade no início do ano. A partir de abril,
anúncios e cobranças de tarifas comerciais intensificaram o vaivém das bolsas
mundiais, com quedas que, em alguns mercados, se aproximaram de 20%.
Somaram-se a esse cenário a intensificação das tensões entre Estados Unidos
e China, a escalada inédita dos conflitos no Oriente Médio envolvendo Israel e
Irã, pressões políticas sobre o Federal Reserve em relação à política de juros,
além do cerco diplomático à Venezuela na tentativa de encerrar o regime de
Nicolás Maduro. Na América Latina, houve ainda atritos comerciais com o
Brasil, incluindo ameaças tarifárias que duraram cerca de quatro meses,
seguidas posteriormente por uma reaproximação entre os governos. No campo
geopolítico, a busca por um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia continuou
sem sucesso, enquanto uma trégua entre Israel e Hamas trouxe algum alívio
temporário. Esses foram alguns dos principais eventos que marcaram o ano.
Apesar desse ambiente conturbado, as bolsas globais encerram 2025 próximas
de máximas históricas, impulsionadas sobretudo pelos investimentos em
inteligência artificial. Esses aportes têm sustentado o crescimento econômico,
mas também elevaram o nível de endividamento e concentraram riscos. As
ações das chamadas “Sete Magníficas” registraram forte valorização,
aumentando significativamente a exposição dos investidores ao setor de IA, o
que levanta preocupações para 2026 sobre a possível formação de uma bolha.
Nesse contexto, cresceu a busca por ativos de proteção, com destaque para o
ouro, que acumulou valorização de 65% ao longo do ano, chegando a testar
máximas históricas em torno de US$ 4.500. Paralelamente, aumentou a
apreensão em relação à nomeação do próximo presidente do FED, prevista
para o início de janeiro de 2026, alimentando receios de interferência política
na política monetária. Como reflexo, o índice DXY atingiu a mínima do ano, com
o dólar acumulando desvalorização próxima de 15% em 2025.
O Banco Central Americano reduziu a taxa de juros em 0,25%, para 3,5% ao
ano. A decisão, no entanto, não foi unânime e evidenciou uma divisão relevante
no comitê. Houve defesa pública de um corte mais agressivo, de 0,50 ponto
percentual, por parte de Miran, enquanto Schmid e Goolsbee se posicionaram
a favor da manutenção das taxas. O comitê destacou preocupação tanto com a
inflação ainda elevada quanto com o aumento da taxa de desemprego,
apontando riscos maiores para o cumprimento do mandato de emprego.
No discurso, o Federal Reserve adotou um tom mais dovish, mas reforçou sua
dependência dos dados, indicando que a decisão de janeiro ficará
condicionada às próximas divulgações econômicas. Na entrevista, ficou clara a
preocupação com o mercado de trabalho, incluindo a possibilidade de que os
dados de emprego estejam superestimados. Em relação à inflação, o comitê
avaliou que os impactos das tarifas tendem a ser pontuais, podendo ser
compensados por reduções nos custos de habitação (housing) e pela
contenção de custos por parte das empresas. A autoridade monetária
considera que a política monetária está bem posicionada no momento. Com
isso, o mercado atribuiu maior peso ao fato de que o corte de juros em
dezembro ocorreu em função dos dados de emprego, enquanto para janeiro a
expectativa é de que o FED aguarde novos dados, com viés de manutenção das
taxas diante da inflação ainda elevada e de uma possível estabilização do
mercado de trabalho. Na Bolsa de Chicago, a probabilidade de manutenção
dos juros para janeiro está em torno de 70%.
Na Europa, o Banco Central Europeu manteve a taxa de juros em 2% ao ano,
sinalizando um período prolongado de estabilidade e indicando que não há
pressa para novos cortes. A autoridade monetária considera a inflação próxima
de 2% adequada e avalia que a demanda interna será o principal motor de
crescimento nos próximos anos, levando o mercado a concluir que o ciclo de
cortes já foi encerrado.
O Banco da Inglaterra reduziu a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para
3,75% ao ano, em uma decisão apertada, com placar de 5 a 4. O comitê avaliou
que a política monetária ainda é restritiva, mas demonstrou otimismo com a
trajetória de queda da inflação rumo à meta de 2%, esperada para 2026, o que
deve levar a um ritmo mais lento de cortes à frente.
Já o Banco do Japão elevou a taxa básica para 0,75% ao ano, o maior nível em
cerca de 30 anos, sinalizando que o ciclo de aperto ainda pode continuar caso
as condições permitam. A decisão reflete maior confiança de que a inflação se
tornou persistente, após mais de 40 meses com o núcleo acima da meta de
2%. Os juros dos títulos de 10 anos atingiram o maior nível desde 2006,
superando 2%. O iene, após a decisão, que já estava amplamente precificada
pelo mercado, chegou a se desvalorizar cerca de 1,5%. Esse movimento levou o
principal responsável pela política cambial do Japão, Atsushi Mimura, a fazer
uma ameaça de intervenção. Segundo ele, movimentos cambiais unilaterais e
unidirecionais geram preocupações e podem demandar respostas apropriadas
por parte das autoridades. O mercado observa o nível de 160 ienes por dólar
como um possível ponto de intervenção, deixando a intervenção verbal em
segundo plano.
